Carvalho (Silva) - Díptico Musical

Em Silva Carvalho há uma indecidibilidade entre poesia, prosa e ensaio. Há um entre que se joga. Por isso a sua Porética é tão pouco atractiva aos poetas e os teóricos da literatura, pois desagrada estes  po ser a menos poética das línguas e desagrada àqueles por ser mais a conceptual, a mais crítica das linguagens. Em Silva carvalho assistimos a uma deslocação, senão mesmo a uma inversão, de todos os valores poéticos, assistimos à rasura das poéticas neo-românticas e neo-simbolistas que dominam ainda a paisagem portuguesa, para que passe outra coisa muito mais exigente e arriscada, que não se contenta mais com o pequeno lume da poesia, seu lirismo complacente, essa destiladora de nostalgia, da pequena dor sacramental, e sem recair mais nas suas ilusões ou nos seus jogos de embriaguez redentora, alquímica, minimalista, perfeccionista e gnosiológica, João Urbano. 

Aquário.

Novembro de 2005. Sintra. 222 Págs. broch. Novo.

10.€