Didi-Huberman - Ninfa Moderna

A história das imagens não vive apenas ao ritmo manifesto dos renascimentos e das obsolescências; vive ao ritmo latente das Sobrevivências. Já Aby Warburg, que interrogara a arte ocidental sob o prisma da «Sobrevivência da Antiguidade», prestara particular atenção a essa figura em movimento, vestida panejamentos esvoaçantes, que ele apelidara Ninfa, espécie de semi-deusa ou de personificação dos eternos retornos das formas antigas. Este livro vem aprofundar e prolongar a investigação warburguiana da Ninfa, do seu corpo, poses e panejamentos, desde a Antiguidade até aos avatares contemporâneos. A argumentação desenvolve-se como uma montagem cinematográfica, onde vemos a lenta queda de Ninfa e do seu panejamento, que se desprende do corpo até cair abandonado como o despojo mais da representação. As Vénus alongadas da Renascença e as mártires barrocas tombadas por terra definem uma trajetória sublinhada por inúmeros artistas - Atget, Brassaï, Picasso, Moholy-nagy, Fleischer, McQueen, entre outros - que, ao debruçarem-se sobre o que nas ruas das grandes cidades se encontra caído, como os panos amarfanhados nas sarjetas de Paris, conseguiram construir  um surpreendente  e estranho leitmotiv da modernidade. Imagem miserável, esfarrapada e sublime; intempestivo e soberano resto trabalhado pelo tempo; imagem do presente que nos oferece«uma imagem íntima do Outrora», seguo a fórmula de Benjamin; ou uma «reminiscência» , segundo freud. (da contracapa).

Tradução: António Preto. Revisão: Pedro Sobrado. Revisões intercalares: J. F. Figueira, V. Silva, A. Morão. Design: Pedro Nora. Paginação: P. Nora, Not Wolf. KKYM. 2016. 163 Págs. broch. Novo. PVP: 27.€