Vivemos, em Portugal, um momento em que muita da poesia, mesmo (ou sobretudo) aquela que é publicada pelas maiores e mais prestigiadas editoras, dificilmente merece esse nome. Assistimos, de facto, a uma perturbante soma de equívocos, sobrevalorizações, meros delírios textuais sem onde nem porquê, tornando-se cada vez mais raras as excepções dignas de apreço. Ao contrário do que geralmente acontece na música e na arquitectura, qualquer pessoa se julga habilitada a escrever poemas, a derramar em versos os seus muito respeitáveis sentimentos. E, como já diferentemente alertavam Rilke e Mallarmé, não é com sentimentos que se faz um poema, mas sim com palavras, M.F.
Selecção e nota introdutória de Manuel de Freitas.
Fotografias de Henrique Pavão.
Capa e arranjo gráfico de Pedro Santos.
Averno.
Abril de 2022. 94 Págs. broch.
€ 15,00.
